domingo, 13 de abril de 2008

Deixe-me ir preciso andar...*

Estou estranha.
Me sinto repartindo, desconstruindo, desmanchando, derretendo…
Me espalhando, transformando, me quebrando em mil pedaços que se juntam a cada momento em diferentes formas e ângulos que refletem meus valores, humores, jeitos e gostos de diversos modos num caleidoscópio emocional em constante movimento.
Estou me recriando.
É como renascer. E como todo nascimento é dolorido.
Estou me tornando uma nova pessoa. Talvez seja isso o tão almejado amadurecimento… talvez.
E amadurecer nem sempre é fácil. Tem se que fazer escolhas e aceitar as mudanças e o novo sempre faz temer...
E ainda assim, não me reconheço.
Não sou a que teme, sou a que arrisca, a que se joga...
E por que então esse medo?
Começos são minha especialidade. Eu que já fui ao fundo do poço estou com medo de atravessar uma correnteza? E me agarro num pedaço de ilusão? Em algo pequeno que não me dá o que preciso?
E me pergunto por quê?
Não preciso de falsas promessas. Nem de sorrisos superficiais.
Muito ofereço para receber tão pouco.
Muito sou e tenho para me contentar com migalhas.
Muito amo para me contentar com tão pouco amor.
Existe em mim uma ânsia em viver.
Já fui romântica, depressiva, triste, melancólica, louca, desnaturada, despudorada, mas nunca, nunca apática.
Se amei, amei com meus dedos, com meus olhos, com meus sonhos, com meus ciúmes, minha raivas, meu destempero, meus desejos por tudo viver, tudo ter e tudo provar.
Se chorei, derramei toda minha essência para que por fim pudesse estar novamente pronta a seguir em frente.
Por que metades não me representam.
Quando sou metade, sou sombra, sou incógnita, escuridão.
Quero da vida todos os gostos, todos os tatos, todos os sons, tudo que eu possa ver, e tudo que eu possa pressentir.
E nessa ânsia por viver, me entrego a cada sonho em busca de torná-lo real.
Infelizmente certos sonhos, se transformam em pesadelos e ainda assim, não me arrependo, pois um sonho vivido é uma saudade sem dor, os pesadelos nada são pequenos degraus que ajudam subir e procurar novos horizontes.
Confesso que aquela sensação ruim, de não poder falar, não poder gritar, de não poder fugir que ocorrem nos piores pesadelos me apavoram, mas logo me lembro que mesmo um pesadelo é apenas um sonho ruim, e depende de mim dele acordar...
Tenho todos os sonhos do mundo e todo o tempo para torná-los reais...
Por que o tempo é unidade de medição atípica, ele tem a capacidade de mudar o que esperamos para o futuro.
Se no meu futuro desejo ser dois, hoje preciso que exista de fato um certo um.
Metades de um não me interessam, não me completam e não me dão os ventos necessários para plainar quando me jogo do abismo, nem me oferecem companhia para banhar na tempestade.
Não quero deixar de ser inteira.
Quero ser inteira somada a outra metade, uma metade completa, segura, firme.
Quero marcas e compromissos.
Não quero ser trocada por toques de uma pele na noite, ou por sorrisos de falsos amigos, aparentemente melhor do que as vozes do meu coração.
Mas também não quero obrigação.
Quero o livre-arbítrio de escolha induzido e seduzido pelos toques das minhas mãos.
O que fazer senão esperar?
A esperança é o que me nutre e o que me faz sonhar.
Se antes eu tinha medo de ser inteira sendo metade, hoje já estou pronta para noites mal dormidas e textos escritos com paixão, para dar tudo que ofereço, para crer e me doar, e me sentir grande nas palmas de uma mão e pequena aconchegada a alguém...
Quero sentir em mim, a saudade que me faz olhar além e não que me entristece, quero a saudade com sabor da esperança e que sacia a fome ao invés de consumir.


PRECISO ME ENCONTRAR - MARISA MONTE (canta Candéia)


* Frase da música Preciso me encontrar.

2 comentários:

Tatiana Lambert disse...

Caberia aqui um comentário com as primeiras estrofes de uma música do Jota Quest... "esta não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos, traduzidos em palavras, pra que você possa entender o que eu também não entendo..."

Incrível como as suas palavras refletem a minha realidade, o meu "eu", com as (in)constâncias inerentes à minhas condição de (im)perfeita.

Parabéns pela sensibilidade, e continue traduzindo em palavras o que eu venho tentando entender há anos...

MIR disse...

mmmm... Muito bom!!